Domingo, Abril 02, 2006

FÉ PESSOAL NAS ESCRITURAS

Este comentário refere-se ao capítulo 1, artigos 4 a 6, da confissão de fé batista de 1689 conforme publicado no site Bom Caminho.

A confissão passa a deixar claro de onde provém a autoridade dessa coleção de 66 livros a que chamamos de Bíblia. O artigo 4 exclui qualquer possibilidade dessa autoridade emanar de alguma instituição humana ou de algum líder eclesiástico. É claro que aqui há uma crítica à igreja romana. Nela os concílios como o de Trento podem autorizar ou desautorizar textos a seu bel prazer.

A Bíblia tem muitas marcas internas que atestam a Sua característica de Palavra de Deus como a harmonia das partes, a majestade do estilo, a plena revelação da salvação de Deus e o propósito único de render glória a Deus. Mas tudo isso são só confirmações secundárias. Como diz o artigo 5o: "Contudo, a nossa plena persuasão e certeza quanto à sua verdade infalível e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela Palavra e com a Palavra testifica aos nossos corações". Ou seja, a certeza de que a Bíblia é a Palavra de Deus está no coração de cada crente e é produzida pelo próprio Espírito Santo. De forma que que todo o trabalho apologético em que se tenta provar que a Bíblia é a Palavra de Deus é relativamente inútil. Essa certeza é um produto do novo nascimento. É implantada no coração do crente.

O 6o artigo deixa claro que a Bíblia está fechada. Não há acréscimos nem retoques a fazer. Nunca, jamais se acrescentará e nem se excluirá nada das Escrituras. Revelações posteriores e tradições humanas devem ser desacreditadas: "A ela nada em tempo algum se acrescentará, quer por nova revelação do Espírito, quer por tradições de homens". É interessante como os confessores excluíram até mesmo novas revelações do Espírito, jogando por terra qualquer alegação dos auto-intitulados "profetas" pentecostais.

No entanto, fica a ressalva de que é necessária a iluminação interior por parte do Espírito Santo para que a Palavra possa ser compreendida (1 Co 2:9-12). O homem não regenerado não entende a Palavra. Ele interpreta tudo errado. Não consegue compreender o texto. Temos assim de forma bem clara que a ação do Espírito Santo é essencial para que a Bíblia tenha alguma utilidade para qualquer pessoa. Em primeiro lugar o Espírito precisa confirmar a autoridade da Bíblia como Palavra de Deus e, em seguida, precisa iluminar o crente para que ele compreenda a Palavra com olhos espirituais.

Por fim, faz-se mais uma ressalva em relação à questões de costumes e épocas. Alguns aspectos da adoração e do governo da igreja mudam com o tempo e deve-se buscar sabedoria para que tudo esteja sempre de acordo com os princípios gerais da Escritura. O uso do véu, ósculo santo, e outras coisas desse tipo devem ser avaliadas sob esse prisma.

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